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Receita define reconhecimento de receitas para software como serviço

A Receita Federal publicou, nesta quarta-feira (11), a Solução de Consulta nº 15, que esclarece como deve ser feito o reconhecimento de receitas em contratos de longo prazo com a administração pública que envolvam software no modelo software como serviço (SaaS) e serviços relacionados. O entendimento estabelece que, para fins de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep, a receita deve seguir o regime de competência, sendo reconhecida conforme a execução das obrigações previstas em contrato.

De acordo com o Fisco, o reconhecimento não deve ocorrer no momento do recebimento do pagamento nem na emissão da nota fiscal. Mesmo em situações de pagamento antecipado, a receita deve ser apropriada apenas à medida que o serviço é efetivamente prestado, conforme definido na solução de consulta divulgada pela Receita Federal.

Regime de competência passa a orientar tributação do SaaS

Segundo o posicionamento apresentado na Solução de Consulta nº 15, a tributação das receitas vinculadas a contratos de software como serviço precisa respeitar o regime de competência. Isso significa que o registro contábil e fiscal deve acompanhar a execução real das atividades contratadas, refletindo o período em que o serviço é entregue ao cliente.

O entendimento vale especificamente para contratos de longo prazo firmados com a administração pública que envolvam licenciamento, cessão de uso de software ou serviços relacionados ao modelo SaaS. Nesses casos, o reconhecimento da receita ocorre de forma gradual, acompanhando o cumprimento das obrigações assumidas pela empresa.

A Receita Federal destacou que essa lógica se aplica independentemente do fluxo financeiro da operação. Ou seja, ainda que o cliente realize o pagamento antes da prestação completa do serviço, a empresa não pode antecipar o reconhecimento integral da receita para fins tributários.

Solução de Consulta nº 15 esclarece dúvidas recorrentes

A publicação da Solução de Consulta nº 15 responde a questionamentos recorrentes do mercado de tecnologia sobre a forma correta de registrar receitas em contratos complexos e de longa duração. A Receita Federal reforçou que o regime de competência é obrigatório para a apuração dos tributos federais mencionados, garantindo maior alinhamento entre a contabilidade e a execução contratual.

Além disso, o órgão explicou que a mudança do regime de tributação do lucro presumido para o lucro real não altera o critério de reconhecimento das receitas. Mesmo com a alteração do regime de apuração do imposto, permanece a exigência de registrar as receitas conforme o avanço da prestação do serviço.

Esse ponto foi destacado pela Receita como forma de evitar interpretações equivocadas que vinculem o reconhecimento da receita ao momento do faturamento ou ao recebimento financeiro.

Impacto para IRPJ, CSLL, PIS e Cofins

O entendimento apresentado pela Receita Federal possui reflexos diretos na apuração do IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep, especialmente para empresas que atuam com licenciamento de software e serviços digitais contínuos.

No caso das contribuições ao PIS e à Cofins, a Solução de Consulta nº 15 esclarece que, quando a empresa apura o IRPJ pelo regime do lucro real, as receitas decorrentes de licenciamento ou cessão de uso de software de terceiros ou importado passam a se submeter ao regime não cumulativo.

Essa definição reforça a necessidade de atenção ao enquadramento fiscal das operações envolvendo software, sobretudo em contratos que envolvem fornecimento contínuo de tecnologia e serviços associados.

Receita só deve ser reconhecida quando serviço é prestado

Um dos principais pontos destacados pela Receita Federal é que a apropriação da receita deve ocorrer apenas quando há efetiva prestação do serviço. Assim, a emissão da nota fiscal ou o pagamento antecipado não representam, por si só, o fato gerador suficiente para o reconhecimento integral da receita.

Na prática, o posicionamento exige que as empresas ajustem seus processos contábeis e fiscais para refletir a execução das obrigações contratuais. O reconhecimento antecipado pode resultar em distorções na apuração tributária, enquanto o atraso na apropriação pode gerar inconsistências perante o Fisco.

A orientação reforça a importância de alinhar contratos, cronogramas de execução e sistemas de gestão contábil para garantir conformidade com o entendimento oficial.

Mudanças no cenário tributário com a Reforma Tributária

Embora a Solução de Consulta nº 15 trate especificamente do reconhecimento de receitas, o tema ganha relevância em meio ao contexto da Reforma Tributária, que tem ampliado discussões sobre a tributação de serviços digitais e modelos de negócios baseados em tecnologia.

A Receita Federal tem reforçado que a correta classificação das receitas e a observância do regime de competência são elementos essenciais para evitar divergências fiscais, especialmente em operações complexas envolvendo software e contratos com a administração pública.

O entendimento também sinaliza a continuidade da integração entre normas contábeis e tributárias, exigindo maior rigor técnico na gestão das receitas relacionadas a serviços digitais.

O que muda na prática para empresas de tecnologia

Com a publicação da Solução de Consulta nº 15, empresas que operam com SaaS ou serviços digitais precisam revisar suas práticas contábeis para garantir que o reconhecimento das receitas esteja alinhado ao regime de competência.

Isso envolve avaliar cronogramas contratuais, etapas de execução e a forma como os serviços são entregues ao cliente. A Receita Federal deixou claro que o reconhecimento antecipado, baseado apenas no faturamento ou no pagamento, não atende às regras estabelecidas.

Além disso, organizações que migraram ou pretendem migrar do lucro presumido para o lucro real devem considerar que a mudança de regime não altera a obrigação de reconhecer receitas conforme a prestação do serviço.

A Solução de Consulta nº 15, publicada pela Receita Federal em 11 de fevereiro de 2026, estabelece que receitas decorrentes de software como serviço e serviços relacionados devem ser reconhecidas pelo regime de competência para fins de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep.

O entendimento determina que a apropriação das receitas deve acompanhar a execução das obrigações contratuais, independentemente do momento do pagamento ou da emissão da nota fiscal. A regra permanece válida mesmo em casos de pagamento antecipado ou alteração do regime tributário da empresa.

Com a crescente digitalização das operações e a evolução do cenário tributário brasileiro, a orientação reforça a necessidade de precisão na gestão contábil e fiscal das empresas de tecnologia, especialmente naquelas que atuam com contratos de longo prazo envolvendo software no modelo SaaS.


Data: 13/02/2026

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